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positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sorodiscordantes – parte II

Hoje recebi um e-mail de um rapaz, que me parece fora do comum, que me inspirou escrever esse post.

Após a leitura do e-mal dele, onde mostrava todo o carinho, apoio e amor pelo ex-namorado, que havia descoberto ser soropositivo, imediatamente lembrei de um amigo.

Meu amigo atualmente mora com a namorada. Lembro como se fosse hoje do dia que me contou estar apaixonado. Eu estava mostrando minha cantora/compositora favorita, e ele me disse que ela era por demais parecida com a moça com quem ele estava saindo. Me colocou no celular para falar com ela após me mostrar o seu perfil no FaceBook. Ela foi de uma simpatia singular, e logo me vi enviando clipes de quem realmente parecia tanto com ela.

Passado algum tempo ele me conta que ela era portadora do HIV, mas isso não parecia preocupá-lo de forma alguma.

Ela não tem problema nenhum com o fato de ser portadora do vírus, e tampouco de partilhar isso com os outros. Fato esse que invejo bastante (inveja no sentido de que gostaria de ser assim, nunca numa conotação negativa).

Hoje os dois moram juntos e me parecem bem felizes. Sei que ela faz muito bem a ele, ajudando nos momentos difíceis que enfrenta.

Fica aqui a dica de um livro que ganhei do autor como um presente após ler o blogue, e a ideia de abrir um espaço para comentários de soronegativos sobre como foi para eles descobrir a questão de seus/suas companheiros(as):

9788536626970_

Livro, baseado em depoimentos reais, de pessoas soropositivas, conta a história de Liana, uma professora universitária recém-divorciada que contraiu HIV do ex-marido, na esperança de uma nova vida, ela decide lecionar numa universidade afastada da cidade, onde conhece Samir, um jovem aluno de medicina, com o qual ela tentará construir uma família, mesmo tendo que enfrentar, diariamente, o preconceito da sociedade quanto à doença. Ela tem HIV e ele não, e juntos lutarão para construir uma família, esta é a realidade de muitos! Livro: Hoje, Intensamente... Você Autor: Robert Filgueira Júnior Editora: Scortecci Ano: 2012 Facebook: http://www.facebook.com/HojeIntensame... Categoria Educação Licença

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Quase um ano depois

Definitivamente fiquei imerso no meu trabalho e praticamente me esqueci da vida.
Uma conversa com a minha mãe me abriu os olhos para algo óbvio que nunca tinha parado para analisar. Ela me fez a seguinte pergunta: “Você já percebeu que está sempre próximo de amigos cheios de problemas?”
Como podia ela ter tanta razão e ver tão claramente algo que eu não estava enxergando?
Sem dúvida os amigos são aqueles que estão ao nosso lado nos momentos difíceis, mas estar apenas ao lado de amigos que estão com muitos problemas no meu caso era algo patológico. Talvez uma forma de me preocupar com os problemas alheios para não encarar as minhas questões.
Uma de minhas melhores amigas se mudou para a minha rua e tenho a sorte de tê-la como vizinha. Em um jantar que ela fez para que eu, minha família fossemos conhecer sua nova casa pude perceber o quanto de felicidade e satisfação eu estava me negando.
Tenho a sorte de ter muitos amigos de verdade, os quais não tenho cultivado como merecem, mas que não deixam de estar ao meu lado no momento em que precisar, e ainda melhor, quando não precisar por nada sério, mas para o simples prazer de desfrutar da companhia.
Atualmente continuo no trabalho que não me agrada, mas já com o futuro planejado. MBA para começar na área que gosto. Saúde ótima, com CD4 completamente normal e carga viral indetectável.
Está certo que tenho uns quilinhos para perder, e ficar com o corpo mais em forma. Confesso uma vaidade, talvez resquícios da época em que trabalhei como modelo.

Nessa semana que passou fui na minha infectologista, onde tive uma breve conversa com outro paciente que me pareceu uma pessoa bem bacana e para cima. Como escrevi no início desse post, eu estava tão focado em amigos cheios de problemas, e me envolvendo com os problemas alheios a tal ponto, que devo ter inundado o rapaz de informações e conversas a ponto de eu analisar que se tivessem feito isso comigo provavelmente ficaria apreensivo.
Com isso me voltei aos meus amigos que me colocam para cima, com boas energias, que me fazem bem!
Para não perder o hábito, deixo uma sugestão de um livro que notei pois sou completamente apaixonado por Oscar Wilde, então quando vi o título ao esperar um voo no aeroporto folheei e tive que adquirir:
Um trecho:
Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.
O significado de “viver” varia enormemente de uma pessoa para outra, a ponto de reduzir-se, para algumas, a um mero “existir”. Se uma pessoa apenas trabalha, paga as contas e vê os dias passarem, ela flutua nas águas da existência, mas não mergulha nas profundezas da vida.