Quem sou eu

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
Google
 

sábado, 31 de janeiro de 2015

14 ANOS DE SAÚDE

Recentemente tomei a decisão de abandonar meu último emprego.

Ainda que saiba que a situação no Brasil está bastante complicada, simplesmente não suportei mais após 3 anos fazendo algo que não gostava em um ambiente bastante hostil.

Minha infectologista, assim como minha cardiologista e psiquiatra já me diziam há tempos que era algo que devia fazer.

Tinha picos de pressão absurdos causados pelo estresse do trabalho, que chegaram a me causar 3 internações para observação da pressão.

Assim decidi pedir demissão e iniciar coaching para ver o que e como vou prosseguir. A área educacional, assim como a sócioambiental me interessam por demais, bem como a vida acadêmica.

Fui então à minha consulta com minha infectologista, e como sabia que por conta do HIV poderia sacar o FGTS, solicitei que ela fizesse a declaração para efetuar o saque.

Qual não foi minha surpresa ao ver escrito que ela me trata desde 2001. Já fazem 14 anos!

14 anos convivendo com o HIV sem que o vírus interferisse na minha saúde.

Atualmente tomo 3 remédios 1 vez ao dia e minha carga viral é indetectável, CD4 em 38,5% (1055/mm3) e CD8 em 42,3% (1156/mm3), ou seja, exames dentro da normalidade de uma pessoa que não possui o vírus.

Já tenho um emprego em vista e estou otimista quanto ao meu futuro.

Achei que deveria partilhar isso e lembrar aos que ficam assustados por serem portadores do virus ou àqueles que temem fazer o exame que vivemos em uma época em que o HIV não é uma sentença de morte.

O carnaval vem por aí, sejam conscientes, se previnam, mas vivam!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Amor x Carência x Sexo

 

Tenho pensado bastante na minha atual situação no que diz respeito à sexualidade.

Não namoro há alguns anos, e não vejo nenhuma relação disso com o vírus.

É claro que o namoro pode ser complicado para um soro+, mas isso não foi um impedimento no passado.

Acredito que a ausência de namoro por muito tempo para mim foi conseqüência do somatório de sentimento de falta de independência, quando retornei ao RJ, somado a uma cirurgia que me trouxe efeito colaterais que eram desconhecidos por mim.

Há uns 4 ou 5 anos atrás fiz uma postectomia (cirurgia de fimose). Se bem me lembro, estava namorando nessa época. Tinha voltado a um relacionamento que não havia dado muito certo e que terminou um pouco antes de eu me mudar para BH.

Após a cirurgia, sentia muita dor, que impossibilitava até mesmo o fato de colocar o preservativo (impossibilitando a relação em si). Com o tempo isso passou, mas a sensibilidade diminuiu drasticamente. Meu urologista e minha psiquiatra insistiram que isso não era fato, mas meu urologista não fez a cirurgia após adulto e a minha psiquiatra é mulher, logo como eles poderiam saber?

Conversando com um tio que também havia feito a mesma cirurgia após adulto, ele me disse que também sentiu perda de sensibilidade. Sendo assim, estou há bastante tempo no celibato.

Muitas pessoas com quem conversei me disseram achar isso absurdo, mas isso é o que eles pensam. Como sou bastante romântico, e sexo pelo sexo não é algo que me interesse comecei a questionar não a mim, mas aos outros.

Até onde o sexo é um ato hedonista e até onde é uma forma de buscar intimidade?

Será que muitas pessoas não usam o sexo como forma de suprir carência emotiva?

Será que utilizam o sexo como busca de amor?

Em caso positivo, muitas coisas passam a fazer sentido para mim, pois não me acho carente, e tampouco busco o amor, pois sei que sou por demais amado.

Outro dia estive com duas amigas mais do que queridas, mas realmente amadas. Uma delas não via há muitos e muitos anos, mas nosso encontro foi o mais natural possível, como se a convivência diária que tínhamos há mais de 20 anos atrás nunca houvesse terminado.

Não me sinto carente, pois tenho a certeza que amo e sou amado. Não um amor romântico, mas de forma alguma menor ou menos importante. É simplesmente amor, e amor eterno.

Como sou feliz de ter essas amizades!